Francklin Roozewelt
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Pela Educação Pública
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A educação é um direito universal, próprio da condição humana e não uma mercadoria para ser utilizada como moeda de troca por agentes políticos inescrupulosos. Deve ser tratada como instrumento para a preservação das diferenças culturais e uma arma em busca de um mundo mais solidário e fraterno, contra a violência, a discriminação, a exploração e degradação humana.
Com base nestes ideais, a Educação Pública deve ser gerida democraticamente, respeitando todos os envolvidos, educando contra a violência, a opressão e as drogas, estimulando os valores universais de liberdade, igualdade, solidariedade, paz e saber, respeitando as diferenças culturais e sociais e os direitos das crianças e adolescentes, dentro de uma perspectiva de desenvolvimento humano solidário e sustentável.
Deve a Escola Pública assegurar a alfabetização com qualidade para todos, promovendo o pensamento crítico e racional, de forma a proteger os envolvidos contra o fundamentalismo e populismo demagógico, desenvolvendo a consciência dos direitos e deveres, educando para a cidadania e a tolerância, permitindo a superação dos problemas diários e do abandono.
A Escola Pública é uma conquista da sociedade brasileira, sendo um fato histórico significante e de enorme importância social. Porém, esta conquista está longe de ter alcançado o seu êxito, diante dos inúmeros problemas e questões a serem resolvidas, entre eles, profissionais mal remunerados e desmotivados, conteúdo programático desatualizado e fora da realidade do mundo globalizado, cujas transformações no âmbito social, cultural, político e econômico, tem se processado de forma célere e com o vigor impressionante, estabelecendo novas exigências e demandas, devendo a escola se inserir neste mundo, de forma que propicie as condições mínimas para preparar os alunos para conhecê-lo e nele atuar.
Para que o aluno seja preparado dentro da nova ordem econômica mundial é fundamental que a Escola Pública, como instituição responsável pela formação de milhões de cidadãos, também se encontre qualificada, permitindo o acesso às novas tecnologias e suas ferramentas, cada vez mais complexas e primorosas, capacitando os seus professores para serem os seus agentes transmissores.
É necessário que a Escola evolua enquanto realidade social, sem esquecer a educação clássica e sem incidir no grave erro de criar situações artificiais, capacitando-a para oferecer ao aluno o atual, o novo, o real, valorizando ao mesmo tempo aquilo que, por resistir ao tempo, tornou-se o saber clássico.
Em Feira de Santana, o analfabetismo aliado à fome e ao desemprego são fatores preocupantes e de grandes desafios a serem enfrentados. A miséria, aliada ao trabalho infantil tem sido um dos obstáculos para a escolarização e, talvez, um dos grandes responsáveis pela evasão escolar.
Aliado aos problemas familiares acrescente-se as péssimas condições de trabalho oferecidas e os baixos salários aos docentes, transformando em um conjunto de dificuldades estruturais, que exige do administrador público transformar a educação não só em uma necessidade primária, mas que priorize a valorização dos professores e demais trabalhadores envolvidos com o segmento. É necessário que o profissional de educação seja bem remunerado, possibilitando-os condições de cada vez mais se qualificarem, com isto, melhorando a qualidade do ensino ofertado.
Ninguém em sã consciência irá discutir a necessidade de qualificação no sistema educacional, na melhoria da formação dos educadores e na infra-estrutura dos prédios, na oferta de tecnologia avançada como suporte de formação do professor e aluno, no caráter democrático da gestão escolar e do sistema educacional como um todo. Porém, remeter o ônus do fracasso da educação somente ao professor, é trazer a discussão para o lado mais fraco da corrente.
O fracasso da Educação Pública em Feira de Santana passa pelos equívocos gerenciais e da falta de compromisso dos gestores com uma educação de qualidade, pela ingerência política nas ações, utilizando a educação pública como moeda de troca, e a falta de responsabilidade política de quem administra o ensino público, principalmente nos últimos anos.
O que todos esperamos é que a administração que ora inicia dê um basta na atual situação de ingerência política e no marasmo que se abateu na Secretaria que comanda a educação no município, priorizando o professor e o aluno em detrimento aos interesses eleitorais de politiqueiros que sempre se utilizaram do setor para obterem votos.
Postado em 12/03/2009
