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Meio Ambiente: o aquecimento global

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O efeito estufa na Terra é garantido pela presença do dióxido de carbono, vapor de água e outros gases raros. São chamados de gases raros porque constituem uma parcela muito pequena na composição atmosférica, formada em sua maior parte por nitrogênio (75%) e oxigênio (23%)

A ação do homem na natureza tem contribuído para  aumentar a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, ocasionada por uma queima intensa e descontrolada de combustíveis fósseis e do desmatamento desordenado. O simples fato da derrubada de árvores provoca o aumento da quantidade de dióxido de carbono na atmosfera pela queima e também por decomposição natural. Aliado a isto, é preciso que entendamos que  as árvores aspiram dióxido de carbono e produzem oxigênio. Logicamente que, com menor quantidade de árvores significa também menos dióxido de carbono absorvido.

Estudos científicos estima que em 1850, período  da disseminação da Revolução Industrial, a quantidade de CO2 existente  na atmosfera era de 270 ppm. Hoje, estima-se em aproximadamente 360 ppm, ou seja,  um aumento de 33%.

Para piorar a situação, a cada ano cerca de 6 bilhões de toneladas de CO2 são lançadas na atmosfera do planeta.

No início da década de 80 existia a esperança de que as alterações provocadas pelo efeito estufa não seriam muito intensas. Roger Revelle, dirigente do Scripps Intitution of Oceanography, afirmava naquela época: "As mudanças não serão grandes acontecimentos; serão alterações ambientais lentas e difusas. A maioria das pessoas nem se aperceberá delas, ano a ano." Parece que ele errou redondamente na sua afirmação, pois os efeitos estão aí, sentido por todos.

A maior concentração de CO2 na atmosfera traz como efeito uma exacerbação do que deveria ser benéfico o efeito estufa, isto é, o planeta tende a se aquecer mais do que o normal; em outras palavras, a temperatura média da Terra tende a subir.

Meteorologistas conceituados têm afirmado que a temperatura média da Terra deverá aumentar em 2°C em razão da concentração de dióxido de carbono a partir do nível de 270 ppm. Em relação ao clima já estamos sentindo o efeito que a mudança de apenas 1ºC na temperatura média global é capaz de ocasionar.

Existe um consenso de que o aumento do efeito estufa só não é maior atualmente porque uma grande parte de CO2 é dissolvida nos oceanos e extraída pela vegetação. Sem esses mecanismos reguladores, há muito o ser humano já teria sozinho, desequilibrado totalmente o clima da Terra. Ufa, ainda bem, que a própria natureza tem tratado de reduzir os efeitos criminosos causados ao meio ambiente por nós, homens, predadores, que esta preparando o fim triste das futuras gerações.

As tentativas das nações através de reuniões e conferências para buscarem uma solução para o problema por elas mesmas criado beiram o ridículo. Apenas para citar, vejam os resultados da última Conferência do Clima, em que as decisões anunciadas apenas tentaram  jogar para a torcida, e muito mal. Todos participantes saíram frustrados os governos concordaram que não foram adequadas as medidas tomadas no sentido de tentar a redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa.

È preciso que tenhamos a consciência que a ocorrência de efeitos climáticos extraordinários em curtos períodos de tempo como assistimos atualmente, devem ser  atribuídas ao incremento do efeito estufa. Em 1984 foi publicado um trabalho por uma equipe da Universidade de East Anglia, na Grã-Bretanha, onde se previa que um aquecimento da Terra decorrente do efeito estufa provocaria invernos mais intensos na Europa. Nos três anos seguintes a Europa foi atingida por invernos rigorosíssimos.

Para os especialistas da Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA), tanto o clima mais rigoroso, como as chuvas que se tornam mais torrenciais, são decorrência do recrudescimento do efeito estufa no planeta.

Além de mais quentes, o nível dos oceanos está subindo, pelo incremento do efeito estufa. Na costa brasileira e em todos os países litorâneos, o avanço do mar vem preocupando a população próxima.  No Brasil, várias praias ameaçam simplesmente sumir do mapa. Ano após ano elas perdem grandes faixas de areia e são tomadas pelo mar. Na cidade litorânea de Caiçara do Norte, Estado do Rio Grande do Norte, o mar avançou 50 metros nos últimos dez anos; oitenta casas sumiram e seus moradores foram forçados a abandonar a cidade.

O aquecimento da Terra também traz os efeitos danosos sobre a flora e a fauna. Na Antártida estão sendo vistas atualmente espécies de plantas que não existiam há dez ou quinze anos, renascerem, ocasionado pelo aumento de 15 graus na temperatura do continente ao longo dos últimos 40 anos, segundo  o físico brasileiro Paulo Artaxa.

Enquanto isso, no resto do mundo, muitas espécies estão desaparecendo. Segundo Jonathan Weiner, em seu livro "Os Próximos Cem Anos", já em 1977 alguns ornitólogos constataram que os bosques norte-americanos estavam ficando mais silenciosos. No México, em 1996, observou-se que em determinadas altitudes cerca de 50% das espécies de borboletas haviam desaparecido, forçadas a migrar para regiões mais frias. Também em 1996 o mundo ficou sabendo que os batráquios (sapos e rãs) estavam desaparecendo nos quatro continentes, possivelmente em decorrência do aquecimento da Terra. Constatou-se  que muitos desses animais começaram a aparecer deformados, apresentam uma perna extra ou faltante, além de olhos e outras partes do corpo fora do lugar.

As conseqüências climáticas do incremento do efeito estufa são apenas mais um dos sinais de que o habitat dos seres humanos está sofrendo grandes transformações. O ser humano tem usado e abusado da natureza e durante séculos agrediu o planeta tanto quanto quis, sem dó nem piedade, em busca dos resultados imediatos, sem pensar no seu futuro.

 Agora, o Meio Ambiente começou a cobrar a fatura e  chegou a hora do ajuste de contas. Em razão deste ajuste de contas, o homem começa a experimentar em si mesmo todos os crimes cometidos contra o meio ambiente. A poluição acarretada pelos gases decorrentes da atividade humana é apenas uma parte da fatura apresentada por conta dos atos insanos praticados pela humanidade.

Sem querer ser um visionário, mas caso não se tome medidas drásticas, breve, mas muito mais próximo que possamos imaginar os crimes por nós cometidos contra o meio ambiente se transformarão em lugar de ameaças concretas, em efeitos catastróficos cada vez piores do que se assiste nos dias de hoje.

Postado em 22/01/2010

 

Francklin Roozewelt é economista, pós-graduado em administração pública, em meio-ambiente e especialista em administração hospitalar.

Acesse o blog de Francklin:

www.palavradesa.blogspot.com

 

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