Mesmo depois de ouvir muitas queixas sobre casamentos de amigas e presenciar divórcios de relacionamentos que aparentemente pareciam ser perfeitos, minha vontade de casar, de ter uma casinha onde pudesse criar meus filhos, um marido carinhoso, amoroso e gentil, etc., etc., etc. ainda permanecia inalterada.
Até que um dia ouvi uma frase que me chocou um pouco: “O casamento é uma instituição falida!” disse-me alguém que não consigo me recordar, mas lembro perfeitamente da minha reação. Pasma. Eu perguntava a mim mesmo como uma pessoa podia dizer pra mim, cheia de sonhos relacionados ao matrimônio, que aquilo não era nada do que eu pensava?
Muitos valores mudaram nos últimos tempos. A palavra amor perdeu o seu real sentido. Fui ensinada desde pequena que para dizermos que amamos uma pessoa temos que realmente sentir algo muito grande por ela, já que o amor é um sentimento tão forte e nobre, que já fez com que um Ser desse seu único filho para morrer por todos os seres humanos movido apenas por esse sentimento.
Hoje em dia, se achar necessário dizer que ama para conseguir sexo, há muitos homens que irão dizer; e algumas mulheres, se acharem que dizer que ama seu parceiro irá trazer para ela algum benefício, elas também não hesitarão. O casamento também virou isso: uma troca de conveniências.
Será mesmo que só esses motivos bastam para se manter uma relação? E quando o fogo da paixão acabar e o sexo não for mais intenso? E quando os problemas começarem a aparecer e os dois notarem que não existe consenso na hora de tomar decisões? E quando os sonhos de um começar a interferir nos sonhos do outro?
Como conseqüência começam as brigas acaloradas regadas com agressões verbais, morais e até mesmo físicas. Ou em muitos casos, os casais preferem ser infelizes calados e a fingir que a vida a dois está muito boa. Em outros casos, ainda, há quem opte pela infidelidade, de uma ou de ambas as partes, buscando fora do casamento coisas que deveriam encontrar dentro dele.
Geralmente, quando alguém resolve abrir um negócio, procura uma área de atuação da qual entenda e que realmente acredite que este empreendimento dê lucros. Mas para este objetivo ser alcançado, é preciso que o empresário, juntamente com os funcionários de todos os níveis e cargos, se dedique ao que fazem e cada um em sua área trabalhe com amor e com o mesmo pensamento: o de fazer dar certo e acreditar no que faz.
Vamos comparar essa empresa ao casamento. Antes de decidir se casar era necessário que o interessado procurasse entender sobre o assunto e saber quais os verdadeiros motivos que estão o levando a optar pelo casamento.
Assim como a empresa, o casamento precisa que as partes interessadas se dediquem e olhem no mesmo sentido, buscando as mesmas coisas, caso contrário, tanto no caso da empresa como no caso do casamento, a situação tende a ficar difícil e chegando ao ponto em que a única saída possível é o divórcio.
Não tenho a intenção de me casar pelo menos por enquanto. Porém, apesar de tudo, ainda acredito que os casamentos podem dar certo se as bases forem fortes, feitas da maneira correta, pelos objetivos certos, cujo foco é o amor. Mas, por enquanto, enfatizo a frase com a qual comecei essa discussão: o casamento é uma instituição falida!