Kássia Luana
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Obesidade: um problema de saúde pública!
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Tudo no mundo moderno é extremo: o tempo é sempre curto; as pessoas estão sempre correndo, com pressa; pouco tempo para lazer, família... Nesta busca por otimização do tempo, um dos momentos do dia que mais sofreu mudança foram as refeições.
O momento da refeição se tornou a hora de saciar a fome e ponto final. Nada de reunião da família, de conversa com os amigos. E quanto mais rápido for esse momento melhor. Comidas semi-prontas ou fast foods são prioridade e substituem as comidas leves e saudáveis que outrora eram feitas em casa.
Uma das conseqüências desta busca por uma alimentação preferivelmente prática foi o aumento do número de obesos. A obesidade é considerada doença e um dos maiores problemas de saúde pública. Ocorre quando a reserva natural de gordura do corpo do indivíduo aumenta até o ponto de ser associada a diabetes, problemas cardiovasculares, osteoartrite, apnéia do sono, entre outras, podendo levar o indivíduo a morte.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica estima-se que no Brasil haja 3,73 milhões de obesos mórbidos. Entende-se por obesidade mórbida quando a obesidade atinge o ponto de aumentar significativamente, o risco de uma ou mais problemas graves relacionadas à doença, causando séria deficiência física ou até morte.
Em 2008, uma pesquisa realizada pela Vigitel - Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, divulgada pelo Ministério da Saúde constatou que cerca de 40% da população brasileira tem problemas com o peso, sendo que 12,9% já são declaradamente obesos, quase 2% a mais que o número divulgado pelo Ministério em 2008.
O cálculo de IMC - Índice de Massa Corporal indica se a pessoa está ou não acima do peso. O cálculo é feito através da divisão do peso em quilos do indivíduo pela altura em metro da pessoa elevado ao quadrado. Por exemplo, uma pessoa de 54 kg e 1,65m, possui IMC de 19,8 kg/m².
Segundo a Organização Mundial de Saúde, se o IMC for menor do que 18.5 kg/m², o peso está abaixo do Normal; IMC 18.5 a 24.4 kg/m², o peso está Normal; IMC entre 24.5 a 29.9 está na fase de Pré-Obesidade; IMC entre 30.0 a 34.9 kg/m² fase de Obesidade classe I; IMC entre 35.0 a 39.9 kg/m² fase de Obesidade classe II; IMC de 40 ou mais kg/m² fase de Obesidade classe III.
Uma das opções cirúrgicas bastante requisitadas é a cirurgia bariátrica - diminuição do tamanho do estômago para perda de peso, que é recomendada em apenas três casos: quando o IMC é maior que 40kg/m² em indivíduos com idade superior 18 anos; se o IMC estiver entre 35 kg/m² e 40 kg/m² e o paciente apresentar doenças associadas; e quando o indivíduo vem ganhando peso nos últimos cinco anos, sem resposta satisfatória a tratamentos convencionais.
O Ministério da Saúde fez um levantamento e divulgou que o número de cirurgias de redução de estômagos realizadas pelo SUS – Sistema Único de Saúde subiu 542% de 2001, quando o procedimento passou a ser realizado pela rede pública, a 2008, além do número de postos do SUS que fazem a operação ter triplicado nesse período.
Somente no ano passado, foram realizadas 3.195 cirurgias, o que significou um custo de R$15.736 milhões para o governo. As mulheres são as maiores vítimas da obesidade. O número de mulheres operadas pelo SUS em 2008 foi de 2.639, um número cinco vezes maior que o de cirurgias realizadas pelos homens. Porém, nove entre dez cirurgias bariátricas realizadas no Brasil são realizadas em hospitais e clínicas particulares.
A questão é que é possível se fazer um país saudável. A tarefa começaria pelas escolas. Há casos de colégios no Sudoeste e Sul do país que obedecem a regra de ter uma nutricionista dentro do mesmo, a fim de trabalhar na alimentação dos alunos para que seja saudável, e não somente prática, trocando os salgadinhos, os doces, os refrigerantes por comidas gostosas e, principalmente saudáveis.
E isso não é caro. No norte do Nordeste muitas escolas públicas adquirem produtos de agricultores da região, ou mesmo criam suas próprias hortas, com o apoio das famílias das crianças para produzirem alimentação saudável para os estudantes das comunidades a que atendem.
Mas não adiantaria que todo esse trabalho fosse feito se em casa a família também não trabalhasse na reeducação alimentar das crianças, fazendo com elas se acostumem com uma alimentação mais saudável. Ensinar a criança a comer bem e corretamente, é dar-lhes a possibilidade de ser um adulto saudável e com mais qualidade de vida.
Postado em 03/05/2009
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