Kássia Luana
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Ser omisso é ser cúmplice!
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Depois dos sucessivos escândalos envolvendo a Igreja Católica e crianças de diferentes idades além das ações realizadas pela polícia brasileira entre os anos de 2005 e 2006, a população passou a falar mais sobre um assunto que há muito tempo acontecia, porém era tratado como absurdo demais para ser discutida em público, ou mesmo como forma de proteção aos praticantes do crime, em sua maioria parentes das vítimas: a pedofilia.
A população começou a falar mais do assunto e dar ao mesmo a importância devida. A Organização Mundial de Saúde considera a pedofilia como uma desordem mental e de personalidade do adulto e como um desvio sexual. Estima-se que apenas entre 2% e 10% dos casos os abusadores sejam realmente pedófilos.
Nas demais ocorrências, os abusos são praticados por “abusadores oportunos”, ou seja, familiares ou amigos da família das vítimas que se aproveitam da facilidade do contato e da fragilidade da criança para manterem relações com as mesmas.
É aí que começa o papel dos responsáveis pela criança de alertá-la sobre os perigos de se confiar em qualquer pessoa, dar abertura a criança para conversar sobre qualquer assunto, explicando com clareza as dúvidas que a mesma possa ter, e, conseqüentemente facilitando a denuncia dos possíveis acontecimentos.
O número de denúncias de casos de pedofilia cresceu de forma tão alarmante, que o senado instaurou a CPI da pedofilia. Durante a mesma foi descoberto que, dentre as principais formas de abordagem das crianças abusadas está à internet. A CPI revelou que 60% das crianças envolvidas em casos de pedofilia investigados pela mesma utilizam Orkut e MSN.
Durante a CPI a ONG - Organização Não Governamental Safernet Brasil, revelou que dentre os 40 milhões de brasileiros que utilizam a internet, 1,3 milhão são crianças das classes A e B e que 40 % das denúncias que esta recebe são relativos a cenas explicitas de sexo envolvendo menores.
Apesar de ser uma das mais graves e devastadoras formas de violência contra a criança, de conseqüências irreversíveis, a pedofilia não é a única. A violência física ou psicológica sofrida por muitas destas crianças em casa, na rua ou no colégio, a exemplo do bullying, podem ter conseqüências tão terríveis quanto às causadas pelos abusos sexuais.
Negligência, surras, xingamentos, reclamações e até mesmo as mais diversas maneiras de castigos, são formas mais comuns e mais graves de violência, que geralmente acontecem com o aval de grande parte dos membros da sociedade, que tratam tais comportamentos como forma de educar. Será mesmo que alguém aprende alguma coisa sendo surrado em um momento de raiva por um ente querido?
O disque 100 foi disponibilizado pelo Governo Federal e para atender todo país, afim de que sejam efetuadas denúncias de violência contra crianças e contra a mulher. Não é necessário se identificar.
O ultimo relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas – ONU sobre a violência infantil no mundo revela que entre janeiro de 2003 e novembro de 2007 foram registrados mais de 76 mil denuncias de violência contra crianças. Em quase 82% destes casos os pais são os agressores. O disque 100 registra por dia em média 93 casos diários de violência contra crianças.
E é preciso mesmo que a sociedade se mobilize e comece a denunciar. Violentar uma criança pode ser acabar com os sonhos além da saúde mental e física da mesma. O medo de ser denunciado e preso pode reduzir drasticamente as ações dos agressores. Ser omisso é ser cúmplice!
Postado em 17/04/2009
