INTRIGA  DA  OPOSIÇÃO

Crônicas de Floriano Lott

Tudo ia bem naquela província de homem macho e mulher valente, até que a oposição como sempre, usando o golpe baixo do linchamento político e politiqueiro, denunciou mais uma maracutaia: a presidenta provincial adquirira material de construção, bem como o mobiliário de seu lar, usando o dinheiro do erário.
De pronto a mandatária apressou-se num discurso transmitido no horário nobre da telinha, que tudo era mentira; intriga da oposição.
Foi aí que um dos congressistas maucaratista ocupou a tribuna, abriu aquela pasta de couro de cavalo bagual, que não pode faltar, e exibiu algumas notas fiscais, confirmando que a província gastara treze mil contos de réis com a aquisição de materiais de construção e móveis para a casa da presidenta Leda Cruz Hernande y Hernandez, mais setenta metros de piso de borracha, câmeras de vídeo, armários, camas, guarda-roupas e o diabo a quatro.
A polêmica ( tratamento que na província se dá a corrupção) em torno de desonestidade praticada pela presidenta, transformou-se na  novela Impeachment Barra Dois, da mesma.
A novela anterior, cognominada Impeachment Barra Um, também por corrupção, fora apreciado por uma comissão especial composta por dezessete congressistas do partido dela, mais doze congressistas da oposição, tudo dentro do maior espírito democrático, para o assunto ser encerrado com a maior brevidade possível.
Em cinco minutos o relator do impeachment barra um relatou o processo, pedindo arquivamento.
Não deu zebra. O pedido foi rejeitado por dezessete votos a doze.
Mas agora a oposição marronzista insistia numa cassassão barra dois.
Na tribuna, outro deputado denunciante agitava com os braços erguidos as notas fiscais e bradava babando pelo canto da boca que desafiava a situação desmentir o novo roubo.
Foi aí – exatamente aí – que calmamente o líder do governo na Casa tomou a palavra:
- Companheiros: essa oposição fascista, que nunca construiu algo para a província e para o povo, teima em denegrir a figura do maior governo que este torrão já teve.
Nunca nesta província se teve um governo tão atuante e honesto, como agora.
Senão vejamos:
A administração provinciana entende que a legislação permite tais aquisições por considerar o lar da governadora como uma extensão do palácio presidencial, visto que ela leva trabalho do palácio para fazer serão em casa.
Então a casa dela é uma extensão do palácio oficial.
Assim sendo, na residência dela pode perfeitamente serem feitas tais benfeitorias para dar conforto e segurança para os moradores e eventuais visitas, e também criar um ambiente adequado ao trabalho fora do horário do expediente.
Em réplica o deputado criador de caso disse que há diferença entre gastos necessários ao exercício do mandato e os gastos necessários ao dever de casa da presidenta, como móveis, paredes e pisos pagos com o dinheiro público para uma residência particular, e considerou o fato questionável do ponto de vista moral e ético.
Em tréplica o lider do governo entregou ao Presidente da Casa, juntamente com as xerox  dos empenhos e das notas fiscais, um borderô de etiquetas auto-adesivas com as quais oportunamente tudo seria etiquetado: as paredes, o piso, os móveis, as câmeras, sem esquecer o diabo a quatro. Assim o acervo seria administrativamente incluído em carga, e o que não puder ser devolvido da casa ao final do mandato, será indenizado ou descarregado.
O requerimento do impeachment foi aceito, e designado um telator, em cinco minutos concluiu a investigação, pedindo o arquivamento da mesma.
Sendo a situação maioria, na mesma hora, por aclamação, o impeachment barra dois foi rejeitado.
Galho fraco quebrado, puseram em discussão dois casos assaz cabeludos:
Soldado raso pode disputar corrida de fundo?
Oficial pode ter carro de praça?
Ambos relatores pediram dois anos de prazo para relatarem tais anteprojetos.

Postado em 11/10/2009

 

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