O Rei Dragão e a Princesa Justiça

Crônicas de Floriano Lott

Era uma vez um rei muito tolo que acreditava que podia ser amigo dos Barões donos das terras e ao mesmo tempo amigo dos campesinos que queriam as terras dos nobres divididas entre eles. Corria o ano de mil e sessenta e quatro, o rei insuflou o povo, mas não armou o povo; aí seu próprio exército o tirou do trono.

O que foi feito novo monarca tinha uma pequena filha de nome Justiça.
Um dia a garotinha achou um minúsculo ovo na beira do lago e levou-o para seus aposentos dentro do palácio. Com o tempo o ovinho se rompeu e de dentro dele saiu um animalzinho.

As pajens disseram que o animalzinho era uma lagartixa, nada mais, coisa que não faz mal a ninguém; e assim a rainha mãe deixou a princesinha Justiça ficar com ela. O animal foi crescendo, crescendo e já não cabia na palma da mão da princesinha. Levava a vida a rugir junto aos trabalhadores palacianos. Foi aí que o monarca se deu conta que não se tratava de uma simples lagartixa, e sim dum filhote de dragão.

Mesmo assim a princesinha continuou acariciando o dragãozinho domesticado e criou-o até adulto. Quando a fera alcançou quinze metros, por três vezes o rei lançou-o no lago; na quarta tentativa o dragão devorou o rei, e saciado, se acomodou no trono.

Quando os camponeses souberam da alvíssara, gostaram, pois o que os reis não fizeram - dividir as terras - por certo um dragão faria, e o dragão virou rei, aprisionou a princesinha na torre do castelo, debilitou o exército real e se acercou dos demais amigos dragões do lago.

Todos os dias, durante anos, El-rei Dragão ia à porta da cela e perguntava:

Justiça, sabe onde está seu poder? Em minhas mãos!

Justiça sabe onde está seu poder? Em minhas mãos!

Até que no fim do sétimo ano, sete pombas brancas pousaram na janela e falaram à princesa: o poder d’ El-rei Dragão está na chama de uma vela a sete dias daqui, a sete metros de profundidade, dentro de um ovo, dentro de sete cofres de ferro, no fundo do mar.

A princesa mandou recado pelas pombas e sete cavalos negros partiram em disparada por sete dias e sete noites até encontrarem a praia. Lá relincharam bem alto e sete tubarões se aproximaram e receberam a ordem de trazer o menor cofre com a vela do poder real.

Os tubarões mergulharam na profundeza do mar e destruíram o primeiro cofre de ferro, depois mais outro e mais outro até abocanharem o último, e o levaram fechado para a praia. Lá sete águias levantaram vôo em direção ao palácio, jogando o cofre janela adentro da torre-prisão da princesa Justiça.

Batendo ao chão o cofre se abriu, o ovo quebrou e a princesa pegou de dentro dele a vela acesa.

Naquele dia, quando o Dragão-rei chegou às grades para zombar da Justiça, como vinha fazendo nos oito anos de reinado, foi a Princesa que perguntou:

Rei, rei meu: onde está seu poder agora? E o rei respondeu: meu poder agora está na mão de Vossa Mercê...

E a princesinha soprou a vela.  

Postado em 22/12/2009

Outras Crônicas

Ilha de Safo

Pelada Futebol Clube

Intriga da Oposição

O dia da árvore

 

 
  Revista Única
 
  Home
  Revista Virtual
  Twitter
  Contatos
  Links
  Colunistas
  Adson Sá
  Evaldo Costa
  Francklin Roozewelt
  Kássia Luana
  Mariana Figuerêdo    
  Especiais
  Blogs que valem a pena
  Bom Jogador
  Cartoons
  Crônicas de Floriano Lott
  Entrevistas
  História Única
  O Tedioso Argumento
  Sociedade dos Literatos
  Tôro Sessenta e Nove