1969. O homem vai à lua. Um homem luta pela UEFS

História Única

Esta história é sobre a saga de Geraldo Leite para conseguir implantar a Universidade Estadual de Feira de Santana

No dia 20 de julho de 1969, exatamente às 23 horas, 56 minutos e 20 segundos, horário de Brasília, o astronauta americano Neil Armstrong, 38 anos, entrava para a história como o primeiro homem a pisar na Lua. Neste mesmo ano, no dia 28 de novembro foi designada pelo decreto 21.583, a comissão formada pelos conselheiros Geraldo Leite, Eugênio Veiga, José Maria Nunes Marques e Maria Cristina de Oliveira Menezes com o objetivo de tomar as decisões e providências, entre elas a de elaborar o anteprojeto para a implantação de uma Universidade Estadual em Feira de Santana. Coincidentemente, no ano em que o homem pisara na lua, alguns sonhavam com uma universidade em Feira.

Não foram poucas as tentativas frustradas. Após muitas idas e vindas dos conselheiros no eixo Feira/Salvador, enfim, em 16 de abril de 1970, o estatuto da comissão foi aprovado. Nas semanas que precederam o julgamento do processo de autorização para o funcionamento da UEFS, Geraldo Leite ia a Brasília com grande freqüência com o objetivo de tentar agilizar a tramitação do processo, de forma que tornasse real o seu sonho de ver funcionar em Feira de Santana uma universidade pública. Sabia ele que ainda tinha muito que andar até ver se tornar realidade a sua visão. Em uma das últimas viagens, faltando poucos dias para o processo entrar pauta no Conselho Federal de Educação, o relator – conselheiro Newton Sucupira advertiu que os Estatutos da Fundação e da Universidade iriam baixar em diligência porque o Reitor da Universidade e o Presidente da Fundação deveriam ser a mesma pessoa, para evitar possível conflito entre as referidas autoridades, o que dificultaria a sua implantação.

Sugere o relator do processo ao Dr. Geraldo Leite, que este fosse ao Governador do Estado da Bahia, à época Dr. Roberto Santos, para que editasse um novo decreto alterando ambos os estatutos, de forma que voltasse a tempo de anexá-los ao processo antes do julgamento. “Tomei o primeiro avião e rumei para Salvador” descreve Geraldo Leite.  Assim, com base na orientação do relator do processo Geraldo Leite convence o governador em relação às mudanças necessárias. Logo após, ele é eleito presidente da Fundação e reitor da Universidade. Assim, os primeiros passos na “lua” foram dados, a missão “Apolo 11” começara a pousar na superfície e a bandeira da universidade começa a ser desfraldada. Geraldo Leite foi o primeiro e único Presidente da Fundação, eleito no dia da instalação do primeiro Conselho Diretor, sendo reeleito para cinco mandatos sucessivos, até sua renúncia em fevereiro de 1979, quando a Fundação foi extinta.

O VISIONÁRIO

O ano era 1970. Neil Armstrong voltara da lua como um dos maiores heróis da sua década. Enquanto isso o médico sergipano, formado pela Universidade Estadual da Bahia, passou dividido entre Salvador e Feira de Santana. No final de setembro vai a Brasília para entregar o processo ao Conselho Federal de Educação, reiniciando sua maratona de visitas a capital do País. Com o passar do tempo Geraldo percebe que passa a ser considerado por alguns diretores e chefes de departamentos do Ministério de Educação como um visionário cansativo e inoportuno, ao ponto de em uma determinada ocasião ser tão mal recebido que não conteve as lágrimas, não conseguindo sequer usar o elevador. “Fui forçado a descer as escadas”, relata Geraldo Leite.

Mesmo assim Geraldo não desiste. Os visionários e idealizadores da UEFS naquela época, estavam andando na contramão da estrutura das universidades brasileira desde o longo caminho que percorreram até conseguirem a autorização para o funcionamento da instituição. Com uma esperteza, digna do mais experiente astronauta, em uma reunião realizada na Secretaria de Educação da Bahia, Geraldo propôs ao então Secretário, prof. Edivaldo Boaventura, que se respeitasse a legislação em vigor e priorizasse o projeto da Universidade de Feira. A bandeira continuava sendo brandida e já se encaminhava para o terreno cimentado da futura Universidade Estadual de Feira de Santana.

A partir daí, Geraldo Leite passa a observar que deixou de ser um visionário cansativo e inoportuno nas salas do Ministério da Educação e vê o seu sonho se tornar realidade. Em 1970, o médico fincava a bandeira e comunicava a todos: Feira de Santana agora tem a sua universidade.

Depois dos pioneiros, outros 10 homens pisariam no solo lunar, mas não de forma tão incisiva e desafiadora quanto o “Apollo 11”. Em seu livro “Reminiscências”, Geraldo Leite relata sua história, sua infância em Aracaju e a chegada à Bahia, mas deixa claro que é impossível separar sua vida da história da Universidade Estadual de Feira de Santana. O quixotesco Geraldo enfatiza que a UEFS tem sido a razão da sua existência e por ela enfrentou “vários moinhos de vento”.

E, no ano de 1969, Neil Armstrong, ao pisar na lua, disse para o mundo: "Este é um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade".

Escrito por: Adson Sá e Iara Carneiro / Postado em 02/11/2009

 

 

 

 
  Revista Única
 
  Home
  Revista Virtual
  Twitter
  Contatos
  Links
  Colunistas
  Adson Sá
  Evaldo Costa
  Francklin Roozewelt
  Kássia Luana
  Mariana Figuerêdo    
  Especiais
  Blogs que valem a pena
  Bom Jogador
  Cartoons
  Crônicas de Floriano Lott
  Entrevistas
  História Única
  O Tedioso Argumento
  Sociedade dos Literatos
  Tôro Sessenta e Nove