Tá Sociedade dos Literatos - Tá. Eu só tenho dezessete anos e isso é muito pra mim. - Como tu quer ser melhor assim com medo? - Não é bem medo, na verdade é falta de vontade, preguiça, sei lá! Chama outra pessoa que isso eu não agüento. - Tá certo. Tu é quem sabe, mas te digo que desse jeito não vai ser ninguém. Ninguém, meu velho! É coisa grande de homem, e essa negação não é racional. Tu tá sendo muito precipitado, mas tudo bem, acho que sabe o que quer. - Gracias, meu velho. Gracias. Saí sem olhar para trás e não estava nem a fim de fazer isso, apesar de Patrício ser meu amigo desde infância e sempre querer me proteger. As coisas não poderiam continuar desse jeito, eu não agüentava mais tanta proteção. Agora, ele vem com um emprego para mim na empresa em que trabalha, como secretário da secretária do assessor do prefeito daqui dessa cidade. Não queria isso para mim, não. Eu tinha que começar a me afastar, tinha que ser sozinho a partir daquele momento, sem mais. Dei um simples adeus e saí, “tá” certo que eu ainda o considerava demais, mas eu queria mudar, escrever meu livro e me isolar. Fui à casa de Aninha só para me despedir. No caminho lembrei o quanto essa menina me fez sofrer e quantas besteiras já fiz por ela, porém a sua beleza sempre me fez bem e o seu sorriso... Eu tinha que ir lá, tinha que dar adeus e até escrever em meu livro uma linha em sua homenagem, eu acho que ela merece por todo sofrimento que me deu. Fui, mas desta vez sem criar falas e ensaiá-las, eu queria que a despedida fosse espontânea e curta. Toquei a campainha. - Franck? Tudo bem? Entra aí. Fiz um bolo nestante, come um pedaço? A expressão de surpresa dela me fez recuar um pouco, não esperava que ela tivesse essa reação quando me visse, mas a sua educação e a fome que eu estava desde cedo quando comi apenas um pão de dois dias atrás, me fizeram pensar na importância daquele convite. - Tudo bem. O sorriso daquela menina me distraiu e me fez entrar em um mundo hipnótico dos sentimentos e assim, esqueci do meu livro, da minha solidão e até de mim, naquele momento eterno era tudo ela. Tudo. por ADSON SÁ adsonsa@revistaunica.net Postado em 01/10/2009 Outros textos: Vida, paixão e morte do Império Serrano De como o Futebol mudou o Brasil
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